“We work in the dark - we do what we can - we give what we have. Our doubt is our passion, and our passion is our task. The rest is the madness of art.”
Henry James


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Tem tanta gente bonita no mundo - pena que elas nunca vão saber disso


Tem um bocado de gente bonita no mundo. Linda mesmo. Mas não me refiro àquela beleza por decreto social (que é muitas vezes a beleza física, mas às vezes são outros aspectos visuais, mas igualmente estéticos), embora algumas vezes essa beleza se manifesta através da estética visual. Mas me refiro uma beleza mais profunda, a beleza de um indivíduo ser, simplesmente, um indivíduo. Algo único no mundo.

Aquele tipo de beleza que, quando você olha, você fica hipnotizado, e não consegue parar de olhar. Aquela beleza que basta você lembrar para ganhar o dia. Uma beleza que pode ser de um ato simples, como um sorriso. Ou algo mais particular, como a personalidade, o jeito de falar, o bom humor. Mas pode também ser um conjunto de coisas, e normalmente é exatamente isso. O conjunto de coisas que torna a pessoa o que ela é, e por isso mesmo a torna bonita.

Parece um pouco evasivo falar desse jeito. Parece indireta. Talvez até seja. Mas é porque, pra mim, beleza é algo difícil de definir. Minha definição de belo ultrapassa...bem, ultrapassa a própria noção de “definição”. É quase como arte. Algo que não pode ser explicado pela religião, pela ciência ou pela Filosofia. É uma conexão quase espiritual (secularmente ou não), entre dois objetos, que não tem julgamento nem critérios. Apenas é.

É um fenômeno puramente subjetivo, claro. Não é possível entendê-lo, apenas vivê-lo em seu momento. É. É disso que se trata. A beleza que defino aqui não é transcedental, nem eterna, pelo contrário; ela é espacial e, principalmente, temporal. Acontece numa hora, e num lugar. E talvez nunca mais será reproduzida. Não é a beleza em objetos inanimados. É uma beleza inerente a pessoas.

Não, eu não estou me referindo ao amor romântico, ou ao olhar dos que estão apaixonados. É algo bem menos pueril e menos cego. Aliás, é talvez o contrário; talvez seja a única coisa que abre nossos olhos. Talvez seja o motivo pelo qual nós sempre seguimos em frente, mesmo sabendo que o destino final é o mesmo para todos. Porque talvez...talvez...a jornada até esse destino valha a pena, se passamos por momentos onde nossa mente conseguiu apreender essa tal beleza.


Tem muita gente bonita por aí. Algumas parecem bonitas quase sempre, mas a maioria apenas em momentos muito específicos - muito provavelmente aqueles momentos onde a pessoa deixa escapar para fora sua verdadeira beleza. Infelizmente, o mundo não gosta disso.

Veja, essa beleza a que me refiro funciona, em certa medida, como um espelho; ela mostra tanto sobre a outra pessoa quanto sobre nós mesmos, sobre o que pensamos, o que queremos, o que sentimos. E especialmente o que não temos. E frequentemente nós não gostamos do que vemos refletido a nosso respeito. Então nós cobrimos este espelho. E por isso durante a vida o mais comum é que nós conseguimos ver apenas uma pálida luminosidade debaixo do pano, tentando escapar. E é essa luz pálida que as pessoas chamam, erroneamente, de beleza.

Às vezes, o pano cai. E a verdadeira beleza é revelada. E nem sempre essa beleza é compreendida, especialmente por aqueles que passaram a vida inteira olhando apenas para um pano palidamente iluminado por dentro. Especialmente quando essa beleza revela aquilo que sempre tentamos esconder. E estas pessoas, incapazes de entender aquilo que estão vendo, vão lutar desesperadamente para colocar o pano de volta para ocultar essa beleza novamente, restabelecendo o estado das coisas.

Alguns poucos, pelas mais diversas circunstâncias e coincidências, serão capazes de entender o que viram. Muitos deles vão lutar para que todos os espelhos sejam descobertos e que possamos finalmente apreciar a beleza em todo o seu potencial. O problema é que essa beleza é demais. É capaz de destruir tudo aquilo que passamos a vida inteira acreditando ser o certo. E aí, como fica? Vamos ter vivido uma mentira durante todo esse tempo? Desperdiçamos nossa vida? Então, mesmo com o esforço de alguns, o verdadeira beleza continua coberta.


Frequentemente, você vê um vislumbre dessa beleza; um pouco aqui, outro ali. E você tem a vontade de chegar até aquela pessoa e pedir mais. Pedir que, por favor, permita que nós possamos ser iluminados por isso. Mas essa pessoa, esse farol que emite um pequeno facho dessa verdadeira beleza, não vai ouvir. Ela vai ficar assustada. Não saberá como reagir. Não vai entender. Vai achar que é mentira. Irá se fechar para sempre. E nunca mais veremos aquela beleza novamente, apenas a pálida luz que vemos o tempo inteiro e que acreditamos que era a única coisa que existia.

Tem um bocado de gente bonita no mundo. E eu gostaria muito de poder dizer isso a elas. Mas eu já tentei. Elas não ouvem. Não acreditam. São lindas. Pena que nunca vão saber disso.

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